Greve na saúde impacta atendimento no Hospital Bethesda de Pirabeiraba

O tempo de espera do atendimento, em média, de até duas horas, passou para até nove horas desde o dia 16.

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Foto: Luan Martendal / A Notícia

(Diário Catarinense) – O Hospital Bethesda, no Distrito de Pirabeiraba, enfrenta elevação 110% acima do normal no número de atendimentos realizados pela instituição na segunda quinzena de dezembro — a média diária chegou a passar de 100 para até 400 pessoas e, hoje, é de 250 pacientes. A situação é um dos reflexos da greve dos servidores que trabalham no recesso e que paralisa cerca de 90% dos funcionários das unidades de pronto atendimento (UPAs) de Joinville.

A interrupção das atividades ocorre nas UPAs Sul, Norte e Leste e completa 18 dias nesta quinta-feira (28). A greve foi deflagrada, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (Sinsej), com o objetivo de reivindicar melhores condições de trabalho, segurança e contratação de novos profissionais, além da revisão da gratificação dos servidores. Até o momento não houve acordo com a Prefeitura de Joinville, conforme o sindicato.

Como consequência, o diretor do Hospital Bethesda de Joinville, Hilário Dalmann, relata que, em alguns dias, o pronto atendimento da unidade tem registrado superlotação. Segundo ele, o tempo de espera do atendimento, em média, de até duas horas, passou para até nove horas desde o dia 16.

Os impactos

O acúmulo de pacientes na unidade é entendido como um dos impactos da greve, uma vez que as portas das UPAs seguem praticamente fechadas, e os atendimentos nesses locais estão restritos aos casos de urgência e emergência. Os demais são distribuídos pela rede básica de saúde entre os hospitais Bethesda (filantrópico), o Municipal São José e o Regional Hans Dieter Schmidt.

— O comprometimento maior é a demora no atendimento porque nós temos uma estrutura que não está preparada para essa demanda. Embora nós tenhamos colocado mais médicos (2) e funcionários (8) e suspendido as férias de alguns deles, isso gera um transtorno muito grande para a instituição — explica Hilário.

Entre os problemas, está ainda a demora nas transferências de pacientes que procuram o local e precisam ser levados para o Regional ou o São José, uma vez que é preciso mais apoio médico e de ambulância — já solicitados ao município e sem resolução, conforme ele.

Como 97% dos atendimentos no Bethesda são realizados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), outro impacto é o aumento dos custos, que não acompanha o aumento das receitas. Há relato ainda de contratação de segurança particular por causa da exaltação das pessoas durante a espera.

— Nesse período pedimos compreensão porque temos que priorizar os casos de urgência e emergência, apesar de fazer o possível para atender a todos. A gente jamais vai deixar a população na mão, que é uma população que ajuda a instituição Bethesda e não tem culpa dessa situação decorrente da greve, nem nós — afirma.

Já no Hospital Regional, a demanda também é maior, em média de 20 a 30 pacientes a mais por dia. Porém, no local, estão sendo realizados atendimentos somente aos idosos e os casos de urgência e emergência, enquanto os demais são reencaminhados ao PA de origem.

Miguel precisou pedir carona para ir até Pirabeiraba levar a mulher ao Hospital Bethesda Foto: Luan Martendal / A Notícia
Miguel precisou pedir carona para ir até Pirabeiraba levar a mulher ao Hospital Bethesda
Foto: Luan Martendal / A Notícia

Transtorno para os pacientes

O transtorno atinge diretamente moradores de outros bairros, como o casal Miguel Carneiro, de 64 anos, e Eulália Ferreira Carneiro, de 83, que buscaram o PA Leste, no Aventureiro, para um atendimento a ela. Eles chegaram a ser recebidos na tarde desta quinta-feira, mas tiveram que se deslocar até Pirabeiraba porque não foi possível fazer a consulta.

— Estivemos em um postinho, ela foi medicada e não adiantou. Hoje buscamos o PA e a funcionária disse que havia poucos médicos e não tinham como nos atender. Encaminharam ela para cá e, para nós que não temos carro, é complicado porque tive que me humilhar atrás dos outros em busca de carona para poder trazê-la — desabafa Miguel, enquanto aguardava a mulher ser medicada.

A mesma orientação foi dada, no PA Leste, ao operador de rastreamento Guilherme Walison Matheus da Veiga, que recebeu um papel de indicação ao hospital filantrópico. Ao contrário de Miguel e Eulália, o rapaz decidiu esperar em casa.

— Não vou até o Bethesda ou o São José agora à tarde porque nesse horário estão lotados. Vou continuar com a medicação que tenho em casa e se não melhorar vou ter que ir até lá — disse ele ao sair da unidade de saúde, por volta das 14h30.

Outro paciente, José da Silva, morador no Iririú, está em tratamento para labirintite. Ele chegou a receber atendimento na UPA antes da greve, mas teve rejeição a medicação. Desta vez, recorreu diretamente ao pronto atendimento do Bethesda.

Manifestação da Prefeitura

A Prefeitura de Joinville reconhece a situação atípica em decorrência da greve e a restrição dos atendimentos nos PAs. Com relação ao aumento no fluxo de pacientes no pronto atendimento do Hospital Bethesda, o órgão informou que existe um sistema de plantão para apoio logístico emergencial para a unidade e que a própria instituição fica responsável pelo transporte dos pacientes.

“O Município já tem um convênio de R$ 110 mil mensais, que é repassado à instituição para que eles tenham a porta aberta para esses atendimentos (da rede básica). A demanda está aumentando por ser um problema pontual provocado pela greve, mas eles têm responsabilidade pelos atendimentos”, afirma a Prefeitura em nota.

Sobre a paralisação dos servidores, a Prefeitura afirmou, também em nota:

“A Prefeitura de Joinville lamenta a decisão do Sinsej em manter a paralisação que prejudica o atendimento à população. O Município apresentou as propostas para o encaminhamento do fim da greve e para a manutenção do diálogo com o Sindicato. Infelizmente não houve a aceitação por parte do Sinsej. O Município ressalta que diante desta decisão, os servidores paralisados terão os salários descontados”.

FONTEDiário Catarinense
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18 Comentários

  1. Graças ao PA no hospital Bethe da apesar da quantidade de horas de espera fui submetida a uma intervenção cirúrgica com sucesso e minha vida salva parabéns a esses guerreiros de deveriam receber pagamento em dobro por trabalharem quando os outros PA fecham suas portas e cruzam os braços na hora de nossa maior dor!!

  2. MAS A SAÚDE TÁ UMA MERDA JÁ FAZ ANOS . MAS AGORA PIOROU 100 % COM ESSA NOVA GESTON . PRA QUEM NÃO SABE QUERO DIZER QUE NOS POSTOS DE SAÚDE DOS BAIRROS NÓS NÃO PODEMOS ESCOLHER O MÉDICO QUE QUEREMOS. TEM QUE SER COM QUEM ELES QUEREM. E O POVO ACEITA TUDO . CONTINUA DIZENDO AMÉM U D O . CHICOTE NO POVO QUE FICA RECLAMANDO NAS REDES SOCIAIS SENTADO NO SOFÁ OU DEITADO NA CAMA COMENDO UM POTE DE PIPOCA E BEBENDO COCA COLA . ENTÃO RECLAMAM DO QUE. VÃO E VOTAM E NÃO EXIGEM NADA. AÍ ELES VÃO FAZENDO DO POVO O QUE BEM ENTENDEM. AS ASSOCIAÇÕES DE MORADORES EM VEZ DE DEFENDEREM O POVO SÓ SERVEM PARA TRAMPOLIM PARA UMA FUTURA CANDIDATURA A UM CARGO PÚBLICO. INFELIZMENTE SE NÓS NÃO AGIRMOS NÃO VAMOS TER MAIS SAÍDA .

  3. Nao tenho participação com nenhum partido politico mas a coerência vem pela vivencia não apoio prefeito algum mas entendam o prefeito tem somente 25 por cento de autonomia na prefeituras o restante e das secretarias e da câmara não adianta prefeito decretar lei se os vereadores vetam a mesma e vise versa um manda e dois desmanda .Reparem temos vereadores com 8 mandatos ocupando as cadeiras e fizeram. Nada em prol da comunidade somente em beneficio próprio vejam para aprovar qualquer pequena emenda de lei levam meses mas para aumentar suas próprias rendas e feitos em poucas horas como pode isso. E relembrando o hospital betesdha recebe pouquíssimo do SUS pois não e do município e nem do estado e sobrevivem assim

  4. Aonde fica a contribuiçao da trimania para o hospital aonde ficam os impostos que nós pagamos a já sei dao pra penitenciárias nos pagamos pra vagabundo ladrão fica fechado comendo bebendo e dormindo a nossos custos pagamos para que uma raça de políticos inúteis fiquem no poder tomando oq é nosso por direito espero que um dia a nação acorde e veja no que se tranformou nosso país um país aonde o pobre vai morrer a míngua e o rico ladrão vai se inriquecendo ,não estou aqui para defamar as pessoas mas sim para falar a vredade .boa tarde .

  5. Oque a trimania tem haver quem tem que resolver são os órgãos competentes ou incompetentes que seja e principalmente governamentais seu sabel por exemplo,se não fosse a trimannia estaria fechado o hospital,então eles não são culpados e cadê o prefeito p resolver o caus dos postinho então graças a trimannia hoje aquilo é um pronto atendimento e que não venha secret da saúde entregar plaquinha da reforma e daí sim lembre se das urnas bando de ingrato

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